sexta-feira, 20 de março de 2009

Despedida

Eu não sei se uma coisa tem a ver com a outra, mas o fato é que quando nasci meu cordão umbilical foi enterrado numa cocheira, um local de criação de cavalos que anos mais tarde foi desapropriada para a construção da atual câmara de vereadores. Acreditavam meus pais, por conta da crendice popular, que quem tivesse o umbigo enterrado numa cocheira, teria saúde e vida longa e assim o fizeram comigo...
Anos mais tarde, já adulto, tive pela primeira vez um sonho meio estranho. Nele eu sobrevoava a região onde fica o centro administrativo e conseguia ver por dentro dos prédios tudo que se passava. Eis que ao chegar justamente sobre o prédio da câmara, onde está enterrado o meu umbigo, via uma multidão de pessoas e dentro da câmara, jazia um corpo num caixão sem a tampa, coberto de flores brancas... ERA EU, SENDO VELADO! A partir daquele dia tive este sonho (ou pesadelo) maluco mais umas cinco vezes pelo menos, foi então que resolvi mudar aquela cena, que estava muito triste. Tomei a decisão que quando partir desta para melhor vou repeti-la, mas não sem antes dar meu toque pessoal ao fato!
Sim, eu quero meu velório na câmara de vereadores de Camaçari, mas ao invés de flores brancas, a meu redor dentro do caixão deverão ter flores vermelhas, fazendo, claro, uma referencia ao Vitória, meu time do coração. Por falar nisso, quando fecharem a tampa, sobre o caixão deverá ter uma bandeira do Vitória, uma de Camaçari e outra com a pata do Camaleão, em homenagem ao Chiclete com Banana, minha banda preferida. Acompanhando o enterro, um carro de som, comunicando a todos a morte de Danival Dias, filho de seu Boro e D. Nice do Ponto Certo, esteja eu morando onde estiver e ao fundo, ao invés daquelas músicas tristes, quero que seja tocado “SE QUER ME CHAMAR EU VOU” (Se me chamar eu vou/Ao som que furta cor/Que furta coração/Que leva emoção, eu vou, eu vou), sucesso de Tonho Matéria imortalizada na voz do chicletão. Já no cemitério quero ser enterrado no chão, para me misturar com a terra de Camaçari e a partir daí sermos um só... FIM!

Danival

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Joãozinho de verdade


Até hoje eu só conhecia as anedotas do “Joãozinho” de ouvir o povo me contar e nunca as imaginei acontecendo na vida real. Tenho uma amiga pedagoga, cujo nome eu prefiro não revelar, que me contou uma história no mínimo inusitada. Eis que um dia estava ela num dos colégios que trabalha, exercendo a função de coordenadora, e uma professora da turma do segundo ano do nível médio entra em sua sala desesperada:
- Coordenadora, eu preciso de ajuda!
- O que foi que houve professora?
- É que tem um aluno na sala que está me tirando do sério, perturbando demais!

Como era de sua responsabilidade conter os ânimos dos mais exaltados, a minha amiga seguiu até a sala, onde proferiu para todos um breve discurso sobre “o papel da escola, o objetivo deles estarem ali, o valor do suor dos pais empenhado nas mensalidades, etc...” Depois de quase meia hora, voltou-se especificamente ao aluno bagunceiro que estava sentado no fundo da sala e perguntou-lhe enfática:

- Meu querido, o que você quer da sua vida?

“- EU QUERO HIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIILTON, 50, NA CAPITAL DA RESISTÊNCIA...”
Respondeu o safado em tom de sarcasmo, cantarolando a musiquinha infame do candidato do PSOL à prefeitura da capital baiana! Resultado: TODO MUNDO PIPOCOU-SE A RIR! (Exceto a minha amiga, claro, que para não dar ousadia ao safado só foi rir quando pode se trancar de volta na sala da coordenação e é claro, quando me contou essa história!).
Danival

quinta-feira, 26 de junho de 2008

As personagens da Globo e seus 'bigodes de testa'

Andava preocupado, fiquei quinze dias sem dormir, afinal, o que as meninas que aderiram à moda fariam com suas franjas, verdadeiros e enormes ‘bigodes de testa’ inspirados na malvada Sílvia, personagem de Aline Morais na novela ‘Duas Caras’ da Rede Globo?

Minha agonia só foi dissipada com a chegada da novela seguinte, ‘A Favorita’, pois, na personagem Alicia, de Thaís Araújo, os bigo.., quer dizer, franjas, estão sãs e salvas e continuarão lindas e volumosas nas testas das milhares de brasileiras que se encantaram pelas madeixas das personagens más...

O fato é que tudo estaria bem e lindo se a maioria absoluta das meninas que copiaram as benditas franjas contassem ou com os cabelos já naturalmente lisos da Aline Moraes, ou com toda a equipe de cabeleireiros da poderosa Rede Globo de Televisão, que cuidadosamente puseram abaixo os cachos e o belíssimo ‘Black-Power’ que Thaís Araújo ostentava até bem pouco tempo. Aqui no 'mundo real', valendo-se do financiamento de 12 parcelas no carnê das 'Lojas Insinuante', muitas garotas adquirem suas próprias ‘chapinhas, pranchas e todo tipo de apetrecho’, construindo elas mesmas suas esculturas na testa... O problema é QUANDO CHOVE!
Recentemente, durante as festividades juninas da minha cidade, não foram poucas as garotas que logo cedo, quando cheguei ao forró, estavam lá, belas e felizes ostentando seus franjões, alguns dos quais não davam uma volta, cobrindo quase os seus olhos, mas que depois de umas duas trombas d’água enviadas do céu por São Pedro, ficaram parecidíssimos com franjas de poodle quando sai da tosa: beeeeeeeem encaracoladinho, ‘tuim, tuim’, mesmo, mas nada que uma nova chapinha não resolvesse!
Dan

sexta-feira, 6 de junho de 2008

120 anos de abolição, preconceito e intolerância

Em 13 de maio de 1888 a Princesa Isabel assinava a Lei Áurea, libertando os negros escravizados no Brasil, último país do mundo a acabar com o trabalho escravo, sem, contudo, garantir-lhes as condições mínimas de sobrevivência e igualdade de fato entre a sociedade dominante da época.
Foram mais de 300 anos de escravidão e como estamos a apenas 120 da abolição, existe aí um déficit de pelo menos 180 anos e que o poder público tem sim a obrigação de promover ações afirmativas de igualdade com a manutenção da política de cotas nos diversos segmentos visando a reparação, afinal, se durante 300 anos ter a cor da pele preta foi motivo de exclusão, por que hoje não ser de o de inserção?
Tem-se uma notória e registrada dívida histórica com o povo negro, mas não queremos pagá-la, pois, o perverso, maldito e doentio preconceito, explícito ou não, está tatuado na alma do nosso povo, seja qual for a classe social, como demonstrado nas recentes declarações insanas do coordenador da Faculdade de Medicina da UFBA, que atribuiu à política de cotas a reprovação do curso na avaliação do MEC, sugerindo inclusive que negros e baianos são desprovidos de inteligência!
O caso do professor não é isolado, mais gente do que se imagina, em nosso miscigenado país, pensa igual a ele e discriminam no olhar, no falar, no gesto e em tudo mais que os satisfaçam na tentativa de rebaixarem quem tem a cor da pele preta, à suposta condição de ‘inferior’.
Nunca sofri preconceito declarado por ser negro, mas sou observador e é claro que já me olharam de lado nas ‘alamedas das grifes’ dos shoppings, em restaurantes, blitzes policiais (estas, para eu que sou motociclista, costumam ser cruéis), cinemas, lojas de departamento, bancos (as portas giratórias dos bancos dão um capítulo inteiro de um livro) e até, pasmem, em órgãos públicos.
Em Salvador, cuja população predominante é negra, os eventos são veladamente segregados, existe uma barreira social e consequentemente racial que determina ‘lugares de preto e os lugares de branco’. Estive recentemente na gravação do DVD de uma grande banda de axé no Parque de Exposições da capital baiana e pensei que estivesse na belíssima Florianópolis, dada a quantidade de pessoas da pele clara e de cabelos lisos!
Os blocos de carnaval são como um verdadeiro apartheid nos moldes do que acontecia até bem pouco tempo na África do Sul, com os brancos se divertindo enquanto os pretos carregam as cordas, abrindo caminho entre as mais de duas milhões de pessoas do lado de fora. E qual a origem disso tudo? Os bolsões de pobreza de hoje, formados quase que em sua totalidade pelo povo negro, originaram-se da falta de políticas públicas lá atrás, há 120 anos atrás, para ser mais específico, quando os negros foram jogados à sua própria sorte.
Como não se assustar e se indignar com a forma como ainda se trata a religião e cultura africana neste país? A Constituição Federal garante liberdade de reunião para fins pacíficos e liberdade de culto, o que infelizmente não impede que adeptos do candomblé, religião de matriz africana trazida pelos escravos, sejam perseguidos por alguns religiosos intolerantes, fatos estes que me remetem à época das ‘inquisições’, quando as pessoas eram queimadas vivas por conta de uma loucura religiosa coletiva.
Apesar de considerar muitíssimo importante, (ainda) não possuo religião definida, respeito todas e tenho grandes amigos em todas elas, todas mesmo! Faço minhas orações, creio em Deus e como fui criado numa família cristã (alguns católicos, alguns protestantes) acredito em Jesus como salvador do universo.
O fato é que por conta de não seguir nenhuma doutrina religiosa específica, me sinto a vontade, por exemplo, para poder usar um escapulário católico que ganhei de presente, acender um incenso de jasmim, ler uma bíblia cristã protestante e ter no quarto uma imagem de Santa Bárbara, também presente. Tudo normal, tudo tranqüilo, mas quando uso uma das três camisas que possuo com estampas inspiradas no candomblé, até o ‘sinal da cruz’, feito por uma senhorinha eu já recebi! Só faltou ela dizer ‘vai de retro’! O mesmo não ocorre, por exemplo, quando visto uma das duas camisas com motivos ‘indianos’, com imagens e estampas de deuses indianos e hindus e que todos estão aí usando sem o menor constrangimento ou reprovação, sejam de que religião for.
120 anos depois, continuamos doentes! Basta acordarmos pela manhã para ‘respirarmos, comermos ou bebermos algum tipo ódio ou discriminação’, ou com a cor da pele de fulano, que paga suas contas, ou com a religião de beltrano, que você jamais deu sequer um bom dia, ou ainda com o que cicrano, que nem lhe conhece, faz com seu companheiro ou companheira na intimidade de seu lar...
Danival Dias

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Camaçari


Quando do ato da nossa concepção, não podemos decidir de onde vamos ser, e dessa forma eu poderia ter nascido no Rio de Janeiro, Roma, Tókio, Campina Grande...
Mas sem querer desmerecer os nativos das cidades que citei e nem das outras 416 que configuram o nosso amado Estado da Bahia, tive a satisfação, o orgulho e a honra de ter nascido na verdadeira “cidade mãe”, porque ela acolhe a todos que vêm aqui em busca de seu sustento!
Nasci em CAMAÇARI, minha terra, meu canto, minha referência, cidade que amo... E mesmo se um dia eu não viver mais aqui, CAMAÇARI, irá comigo para onde quer que eu vá, em meu coração...

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Eu gosto é do real!


Você já se deu conta que esse negócio de mundo virtual vicia? Rapaz é Orkut, Flog, Blog, e-mail, MSN, Skype e mais um monte de coisa... Uma vai puxando a outra e quando você se dá conta, já criou um mundo paralelo ao seu! Deixando inclusive um rastro virtual pelo qual qualquer pessoa lhe localiza em qualquer parte do planeta...

Eu gosto de internet, mas de maneira dosada, não dá para ficar em casa o tempo todo sentado na frente do computador e deixar de ir à praia numa manhã ensolarada de domingo, por exemplo.

Tudo bem, no mundo virtual não existe a timidez como no mundo real, todo mundo fica mais bonzinho (só exibem suas qualidades) e mais bonito (viva ao Photoshop), mas não dá para substituir um abraço gostoso e demorado, cheio de amor, cheio de calor, cheio de cor, por um cinzento e mecânico ‘scrap’ do Orkut! O mundo bom é o de verdade, com cheiros, sabores, sensações e sorrisos como o meu e o seu!

Dan

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

'putodromozin'

Na minha cidade, segundo matéria inicialmente veiculada em jornal local e que depois tomou proporções nacionais, uma vereadora acenou com a proposta polêmica de sugerir ao chefe do executivo a criação de um ‘PUTRÓDOMO’, ou seja, uma zona (sem trocadilhos) para abrigar as prostitutas, com fins a acabar com a proliferação dos prostíbulos nos bairros e diminuir a violência e o tráfico de drogas nesses locais (e blá, blá, blá)...
É claro que a idéia era descabida e a lei penal nem permite tal feito, mas com a polêmica gerada em torno do termo ‘PUTRÓDOMO’, creio eu que equivocadamente usado pelos excelentíssimos edis para definir o local de trabalho das prostitutas (que não são necessariamente putas), a idéia foi rechaçada e numa concorrida ‘Audiência Pública' para debater o problema da prostituição em Camaçari, deram as devidas explicações, esclarecendo aos presentes quais eram suas reais ‘boas’ intenções, pediram 'desculpas a quem de direito' (e blá, blá, blá)...
(Me deu um estalo agora, lembrei daquele ditado popular, que diz que ‘de boa intenção o inferno está cheio’, mas deixa isso pra lá!)
O fato é que mesmo (graças a Deus) não tendo saído do papel, a idéia do ‘PUTRÓDOMO’ mexeu com a imaginação e a libido de muita gente! Já tinha amigo meu economizando do salário para gastar tudo no novo centro de entretenimento da cidade, que anda tão carente de boas opções de lazer. Amigas com seus currículos cheios de cursos e pós-graduações, doidas por uma oportunidade de melhorarem de vida ou de complementarem as suas rendas, já estudando para o ‘Processo Seletivo Simplificado para Ingresso no Putódromo Municipal’, cujas inscrições seriam feitas em longas filas sob a luz escaldante de um sol de 40°, a beira do muro do estádio municipal! Garotos e mais garotos prestes a saírem da puberdade, ávidos por descobrirem os prazeres da copulação (e blá, blá, blá)...
Que pena, à exceção das amigas que só continuarão desempregadas, meus amigos e os garotos púberes ficaram na mão (literalmente, se é que vocês me entendem), com a não criação do ‘PUTODROMOZIN’ deles!
Dan
daniborozinho@hotmail.com (msn)
danival.dias@gmail.com (mail)

(EM TEMPO: Não acreditam no que eu acabei de lhes contar? Experimentem por o termo “PUTÓDROMO” no Google, e vejam no que dá...)