terça-feira, 22 de junho de 2010

Camarote pago no Camaforró

Pelo segundo ano consecutivo teremos no Camaforró o camarote pago. Ano passado eu fui e gostei muito da experiência, apesar de às vezes confundir o camarote pago com o camarote institucional do governo, já que um era do lado do outro e para ter acesso a um, entrava-se pelo mesmo caminho do outro. Não que eu tenha nada contra gente de governo, mas é que já que o camarote é pago, que se separe o das “autoridades” (onde para falar a verdade fica meia dúzia de verdadeiras autoridades e centenas de bajuladores) do que a gente para ter acesso teve que pagar antecipadamente e em espécie!

Na verdade os tais camarotes institucionais também são pagos por nós, mas em Camaçari sempre os considerei motivo de piada, já que a turma da bajulação faz questão de ficar com a “cara na tela” para ser vista pelo povão e/ou para sair nas fotos dos sites de noticias da cidade, posando de “celebridade”! Também nunca entendi quais eram os critérios para um cidadão ter acesso e outro não a esses camarotes, que por sinal, já que eles são construídos com recursos do povão, todo mundo em tese também deveria poder entrar. Sabendo que isso é humanamente impossível, que ficassem por lá comendo e bebendo a nossas custas, somente as verdadeiras autoridades do município e não os bajuladores, sobrinhos, primos, genros, compadres, etc.!

O problema é que me disseram uma vez que em Camaçari todo mundo é “dotô”, e parece ser mesmo, pois eu fui até testemunha ano passado (quando paguei do meu bolso para entrar no camarote, ressalte-se) de nego gritando com segurança na portaria “SABE DE QUEM SOU FILHO?” ou o absurdo “MEU NOME É FULANA DE TAL!”, creiam!

Comercializar o espaço, para que o cidadão comum, como eu e você tenhamos acesso ao conforto de curtir uma festa tão grandiosa como o Camaforró é uma iniciativa maravilhosa, já que chegar ao “Olimpo”, digo, camarote das “autoridades” não é para qualquer um! Tomara que para os próximos anos esse tipo de serviço seja expandido e melhorado, assim como já ocorrem com as barracas, dando oportunidade inclusive para que segmentos especializados em entretenimento explorem esse filão, oferecendo serviços bacanas, bem ao modo dos grandes eventos do porte do Camaforró por todo o Brasil e como já estava começando a acontecer inclusive em Camaçari, nos tempos áureos do nosso saudoso Camafolia, antes de sua descontinuidade...

Danival Dias
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Segurança Pública x Entretenimento x Mobilização

Não há como não se manifestar sobre algo tão chocante à sociedade como foi o bárbaro assassinato do delegado de Camaçari, Dr. Clayton Leão (http://migre.me/Rnn5). E qual a relação entre um site de entretenimento com segurança pública? Toda! Quero chamar a atenção aqui para o nosso poder da mobilização popular. O que aconteceria se um dia o governo acabasse com o carnaval? Em âmbito local, qual seria a reação ao cancelamento, por exemplo, das festividades juninas em Camaçari?

Em hipóteses como essas, certamente a sociedade civil organizada, instituições, poderes, políticos, todos se manifestariam contra essa “afronta”... Mas para cobrarmos do Estado o que é sua OBRIGAÇÃO prover, como EDUCAÇÃO, SAÚDE, MORADIA e SEGURANÇA, qual a grande mobilização em torno disso?

Tragédias como a ocorrida com delegado causam comoção, dor, revolta, mas com uma semana, nos esquecemos de tudo e nossa preocupação deixa de ser a violência – e os mecanismos para combate-la – e volta a ser as festas, as farras, as benesses providas pelo “meu político” para minha satisfação imediata e pessoal...

Estamos vivendo tamanho caos que “morre um Clayton Leão” por minuto nesse Estado! Lembre-se disso na hora de escolher os seus representantes nos governos e não se iluda com falácias e “esmolas”; é a nossa vida que está em jogo e (LITERALMENTE) corre perigo!

A Polícia Civil da Bahia perde um de seus melhores homens e a tensão vai também para nós, cidadãos comuns, pois se até autoridades estão expostas a violência desenfreada e maquiada pelos governos, como fica nossa situação?

Danival Dias
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domingo, 16 de maio de 2010

Bares, restaurantes, casas de show de Camaçari: acessibilidade zero

Existem situações que simplesmente não nos chamam a atenção se não a vivenciarmos. Eis que recentemente batendo papo com meu amigo cadeirante, Alysson Cairo e ouço dele uma queixa para qual eu jamais havia sequer me dado conta, que é a de que falta acessibilidade nos espaços de evento de Camaçari!

Não estou falando aqui somente da construção de uma “rampinha” na entrada, apesar dela também estar ausente na maioria absoluta dos espaços, mas de uma completa reestruturação em bares, casas de eventos e restaurantes, com reformas em seus banheiros, por exemplo, para poderem receber uma parcela da população que só é lembrada em situações de necessidade, infelizmente.

Esquecemo-nos de que cadeirantes e pessoas com qualquer tipo de deficiência física, também gosta de música, de festa, de sair, de dançar, de “tomar uma gelada” com os amigos... Faça agora mesmo uma pesquisa mental e responda para si, quantos espaços públicos de lazer em Camaçari estão adaptados a essa parcela de sociedade?

Ouvi de um proprietário que “a quantidade de pessoas nessas condições que freqüentam bares, casas de eventos e restaurantes é pequena”, mas será que isso não ocorre justamente pela falta de acessibilidade? Poder público, não seria o caso de exigir por lei que isso fosse feito?
Empresário, saia na frente e mostre que o seu espaço é de todos e aumente sua clientela! Sociedade, cobre a acessibilidade que seus pares precisam, afinal, vocês sabem o quanto é bom se divertir, por isso, garanta a seu semelhante a oportunidade de sentir o mesmo...

Danival Dias
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sexta-feira, 2 de abril de 2010

Estamos podres!

Desde que o mundo é mundo, ouvimos falar das atrocidades cometidas pelo mais cruel dos animais da terra que são os seres humanos, porém, o que diferencia o hoje do outrora, é que estamos perdendo nossa capacidade de indignação e achando que tudo é “normal”, onde pessoas passaram a ser bonecos, peças de um quebra-cabeça que montamos e desmontamos ao nosso bel prazer em nome da satisfação imediata, mesmo que para isso causemos dor e sofrimento...

O respeito pelo próximo acabou; o respeito com nós mesmos não existe mais! O mundo gira "em torno do nosso umbigo e o resto que se dane", pensam os imbecis! Piegas dizer isso? Não, real! Culto a futilidade, à promiscuidade, à falta de zelo, de carinho, de amor e compaixão ao próximo... Onde vamos parar? Já pensou no mundo que seus filhos, netos e amigos vão pegar pela frente?

Noite de sexta-feira da Paixão de Cristo, eu já prestes a ir dormir, quando vejo no jornal da TV uma chamada dizendo: “Morador de rua é vítima de humilhação em Porto Alegre” (Disponível em: http://migre.me/tsJe). O que está havendo conosco, gente? O que será que leva pessoas pararem um carro, sacarem uma lata de tinta e derramarem sobre um pobre coitado que dormia na rua, no frio, com fome e que não fazia mal algum a ninguém?

Como alguém que faz uma barbaridade dessas, ou todas as outras barbaridades como matar, roubar, estuprar, trair, gritar, ofender, consegue por a cabeça no travesseiro e dormir em paz? Estamos podres!

Essa gente ruim se esquece que nossa passagem por este mundo é breve...

Isso foi só um desabafo!

Danival Dias
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quinta-feira, 18 de março de 2010

Curtinhas para rir (ou chorar)!

por Danival Dias ( * )
EU TAMBÉM QUERO VOAR
O governador da Bahia, quando vem a Camaçari, seja para participar da “eleição” do presidente do seu partido, seja para inaugurar ampliação de hospital, só chega de helicóptero. Nem ele tem coragem de encarar os engarrafamentos da Paralela e os 18 quilômetros da “Via parafuso”. Eu que sou peão passo por lá todo dia para ir trabalhar e de vez em sempre tem acidente com morte...

DOAÇÃO DE VIATURAS (OBA!)
Falando em governador, o carinho com a cidade que ele vota e que já foi até candidato a prefeito é tão grande que das 1.200 (mil e duzentas) viaturas adquiridas, Camaçari recebeu UMA, para não ficar chupando dedo! Temos uma população estimada de 250 mil habitantes, com extensão territorial de 760 km² divididos entre a sede do município e os distritos (maior em território até do que a capital) e nos mandam somente UMA viatura?

OBA OBA INSTITUCIONAL
Ainda sobre a viatura, tão constrangedor quanto ter recebido apenas UMA, foi a nota expedida pela comunicação do governo municipal, com o título “Camaçari recebe viatura do governo do estado” (disponível em: http://migre.me/pulQ). A gente fica feliz com o teor da matéria, mas quando descobre que foi APENAS UMA, dá vontade até de chorar!

ABANDONO NO CENTRO DA CIDADE
Caminhando pelas ruas da Nova Vitória, no centro, parece que nem estamos na cidade mais rica do estado, cujos jardins, numa metáfora que faço, deveriam brotar “uvas e peras” e as fontes luminosas “jorrarem coca-cola”! Muita sujeira, ruas com lama, sem pavimentação ou coleta de lixo. Enquanto isso nos bairros ditos “nobres”, tudo lindo, ou pelo menos bem maquiado.

CONCURSOS DO LEGISLATIVO E EXECUTIVO
Pegou muito mal essa da Câmara fazer a prova do concurso no mesmo dia da prova da Prefeitura. Compartilho da mesma opinião do Professor Valdívio Pardal, de que provas no mesmo dia, cerceiam o cidadão de concorrer aos dois poderes! Quantas casas legislativas de todo o Brasil fazem suas provas independente? Os poderes no Brasil não são distintos? Em Camaçari não!

TODO MUNDO DO PARTIDO DA ESTRELA
Eu que achava que quando o Governo Federal, Estadual e Municipal fossem todos da mesma corrente política, estaríamos no paraíso. Ledo engano... Do jeito que andam conduzindo as coisas nas três esferas de governo, daqui a pouco vamos sentir saudade até de “malvadeza”, já que esses que estão aí hoje são tão maus quanto o antigo “dono da Bahia” (ou até piores, já que muitos se fazem de santo mas são demônios – vide mensalão, caso Celso Daniel, e escândalos mil envolvendo a turma da “estrela vermelha”).

OPOSIÇÃO E CONTROLE SOCIAL
Pela tristeza em ter descoberto que “todo mundo do mesmo lado” gera um estado de palidez e descaso, é que considero de EXTREMA IMPORTANCIA a existência de uma oposição RESPONSÁVEL. Acompanhamento e controle externo dos poderes pode ser feito tanto por quem recebe um mandato, quanto pelo povo mesmo, por meio das ferramentas de CONTROLE SOCIAL. O povo não tem noção do poder que tem, principalmente nos dias de hoje, que as informações sobre os governos estão ao alcance do mouse... PENSEM NISSO!

"Meu ideal político é a democracia, para que todo homem seja respeitado como indivíduo e nenhum venerado." (Albert Einstein)

"Há quem chegue às maiores alturas só para cometer as maiores baixezas." (Ayres Brito, Ministro do STF)

( * ) Danival Dias é camaçariense apaixonado por sua terra e tem o umbigo enterrado (literalmente) onde hoje funciona o legislativo municipal. danival.dias@gmail.com [mail], danivaldias@hotmail.com [msn], www.twitter.com/danivaldias

domingo, 7 de março de 2010

‘Beber, cair e levantar’

Durante a minha adolescência eu já estudava a noite. Toda a minha turma do ginásio do Colégio Polivalente de Camaçari foi estudar o nível médio (naquela época, segundo grau) no José de Freitas Mascarenhas a tarde e eu, como precisava trabalhar e havia sido aprovado no processo seletivo para ‘Menor Aprendiz’ do Banco do Brasil, então com 15 anos, fui para o São Thomaz de Cantuária fazer o curso Técnico em Contabilidade, onde fiquei de 1992 à 1994. Lembro-me até hoje do meu primeiro dia de aula, nos fundos do colégio, em salas improvisadas, feitas de madeira e telhas de amianto, que os alunos veteranos apelidaram de ‘galinheiro’. Logo depois fomos transferidos para uma extensão do São Thomaz, no então recém-construído Colégio Normal de Camaçari, que ficava ao lado, onde permanecemos nos dois anos seguintes, até retornarmos para concluir o terceiro ano no próprio São Thomaz.

No primeiro ano do curso técnico, com apenas 15 anos de idade, me sentia deslocado no meio de colegas bem mais velhos do que eu, pois estava longe dos que haviam estudado todo o ginásio, mas para minha sorte, meu desconforto terminou com a chegada para estudar comigo, do meu vizinho de infância e amigo/irmão, graças a Deus até hoje, Joselito dos Anjos Miranda Júnior, que tem a mesma idade que eu. Com o tempo e já familiarizado com o ambiente até então estranho, adquiri calorosas e queridas amizades, algumas das quais também mantenho até hoje. Saíamos da aula às 22:00 horas, do centro em direção ao Ponto Certo sempre caminhando (sim, transporte em Camaçari desde essa época era difícil), sem medo e relativamente tranqüilos, pois a violência naquela época era muitíssimo menor do que a de hoje (sim, em Camaçari até bem pouco tempo era possível andar pelas ruas após as 22:00 horas!).

Nesse ponto da leitura, muitos devem estar se perguntando o que o título deste texto (‘Beber, cair e levantar’) tem a ver com o que escrevi até agora, mas eu explico, é que recentemente numa ‘manifestação’ estudantil que passou pela frente do meu local de trabalho, no centro da cidade, vi estudantes secundaristas com 15, 16 anos, atrás de um carro de som gritando palavra de ordem, dançando, cantando e... CONSUMINDO BEBIDA ALCOOLICA! Muitos também fumavam cigarros e outros já se encontravam num estado que nem deveriam saber o porquê de estarem ali... Vendo aqueles jovens, literalmente se auto-destruindo, não teve como não fazer um paralelo com o tempo que eu tinha a idade deles e já trabalhava e estudava a noite, numa época em que a oferta de cursos, trabalhos e estágios em Camaçari era quase nenhuma; as poucas (inclusive a oportunidade que tive para fazer o teste para o Banco do Brasil no qual fui aprovado) eram viabilizadas pela Casa da Criança e do Adolescente ou pela Secretaria de Ação Social, onde fiz o inimaginável para os jovens de hoje, curso de datilografia!

Na minha época, eu e meus colegas, pelo menos os que eram da mesma faixa etária (dos 15 aos 17 anos), jamais faltamos a aula para irmos a um bar; também nunca levamos bebida ou qualquer outro tipo de droga para dentro da escola e para falar a verdade, a primeira vez que me lembro de ter ingerido álcool (cerveja) em ‘grandes proporções’ como a turma do colégio anda fazendo hoje, eu já era maior de idade e já havia sido aprovado em primeiro lugar para a única vaga para da minha função, no concurso público do órgão em que trabalho até hoje; tinha apenas 18 anos! Para muitos, a bebida alcoólica que é lícita, mas também é DROGA, acaba sendo o trampolim para a maconha, cocaína, êxtase, crack e todo tipo de porcaria cujo consumo e toda sujeira que envolve sua produção e venda (tráfico) dizima famílias, mata pessoas, ceifa oportunidades e alicerça o clima de violência e insegurança que vivemos hoje em todo o país.

Recentemente me chamou à atenção a organização por jovens, em sua maioria, de uma ‘marcha’, pedindo a liberação de determinado tipo de DROGA e pesquisando descobri que o tal movimento possui site na internet onde eles sugerem seus ideais e até vendem camisetas e adesivos. Confesso que vibrei com a decisão da justiça em proibir a realização do evento em Salvador e outras cidades do país, afinal, por que não usar todo esse ‘poder de mobilização’ realizando as tais ‘marchas’, por exemplo, ‘pela moralização na política’, ‘contra o desvio de recursos públicos’, ‘contra o nepotismo no serviço público’, ‘pela redução da carga tributária’, ‘contra a prostituição infantil’, ‘para arrecadação de donativos às Obras Assistenciais de Irmã Dulce’? Fica aqui a minha sugestão!

Camaçari agora dispõe de CETEB (escola técnica estadual), CEFET (escola técnica federal), SENAI (escola técnica mantida pela indústria), UNEB (universidade estadual), CIEE e ANIMA (centros de intermediação para a contratação de estagiários de nível médio e superior), bolsa auxílio universitária mantida pela prefeitura, Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) que dá acesso às bolsas de estudo do Governo Federal de até 100% do valor das mensalidades em faculdades particulares, além de ônibus gratuito para as faculdades de Salvador, Lauro de Freitas e Simões Filho (CEFET), entre tantas outras benesses que não existiam para os estudantes secundaristas de pouco mais de 14 anos atrás...

Infelizmente, mesmo com todas as oportunidades à mão, ainda há uma parcela considerável de jovens que ao invés de ESTUDAR e TRABALHAR, parafraseando o título uma musica infame, que a despeito das pérolas produzidas por Luiz Gonzaga dizem ser forró, preferem e acham certo, ‘Beber, cair e levantar’.

Danival Dias
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Publicado originalmente em 19/06/2008 no jornal Camaçari Notícias, disponível em http://www.camacarinoticias.com.br/leitura.php?id=36985

30 anos do Pólo Petroquímico, eu e você fora da festa!

Semana passada, acessando o jornal Camaçari Notícias, li uma matéria intitulada “Memorial 30 anos do Pólo Industrial será implantado em junho” e fiquei logo curioso e entusiasmado, pois, quem me conhece sabe, sou bairrista assumido, apaixonado por minha terra e tudo que a ela se refere logo me chama a atenção. A notícia, assinada pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Camaçari no início é animadora, informando que em junho próximo a cidade ganha um mais do que justo memorial sobre os 30 anos do maior complexo industrial integrado da América do Sul.

Fala ainda da realização na cidade de um seminário sobre qualificação profissional e da recuperação das vias de acesso ao Pólo que estão abandonadas a muitos anos, pondo em risco a vida de chefes de família que vão em busca do pão de cada dia. Como camaçariense, tomar conhecimento de todas essas informações me deixou muito feliz, o que não durou muito tempo, pois, ler os dois últimos parágrafos, os quais abaixo eu transcrevo, foi desolador:

“A programação comemorativa aos 30 anos do pólo começa oficialmente dia 26 de junho, com a apresentação especial da cantora Maria Bethânia, acompanhada pela orquestra sinfônica da Bahia, no teatro Castro Alves. Na manhã do dia seguinte, acontece a inauguração da segunda linha de produção da Bahia Pulp.

À tarde, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, junto com o governador Jaques Wagner, abre o Fórum Empresarial-Pólo 30 anos, no hotel Bahia Othon Palace. Um grande show com Armandinho Macedo e a orquestra sinfônica da Bahia, dia 29, encerra a programação."

O Pólo é em CAMAÇARI, mas as “pomposas” comemorações com a presença do Presidente da República, Governador do Estado, shows de Bethânia, Armandinho e Orquestra Sinfônica da Bahia serão em Salvador, no Teatro Castro Alves e no Bahia Othon Palace, onde 99,9 % dos mais 200.000 habitantes daqui não terão acesso. Uma pena!

Como filho de um dos milhares de trabalhadores que derramaram seu suor, empenhando sua força de trabalho na construção do complexo petroquímico, fico muitíssimo triste com essa pseudo-comemoração aos 30 anos do pólo. Em data tão importante o COFIC/POLO deveria voltar-se mais para o desenvolvimento da terra que os abriga: CAMAÇARI, que a exceção da arrecadação de impostos que fica por aqui (e esta somente porque ainda não há como transferirem para Salvador), sempre foi deixada de lado pelas iniciativas do complexo...

O preconceito com Camaçari e a seu povo já começa pelo acesso aos melhores cargos, pois, dificilmente processos seletivos para as boas vagas nas grandes empresas do Pólo são sequer divulgadas na cidade e quando alguém daqui fica sabendo e ousa-se a participar, tem que mudar o endereço no currículo dizendo que mora em Salvador. A nós, restam as “bocas” (vagas) nas “gatas” (terceirizadas) durante as “paradas” (das máquinas para manutenção).

O Pólo Petroquímico não é em Camaçari, então por que não se comemora tudo em Camaçari? Melhor seria se a matéria “Memorial 30 anos do Pólo Industrial será implantado em junho”, terminasse da seguinte forma:

“A programação comemorativa aos 30 anos do pólo começa oficialmente dia 26 de junho, com a apresentação especial dos cantores PAULO CARRILHO, CAROL ASSEMANY E NADJA MEIRELLES, acompanhados pela BAMUCA, no TEATRO DA CIDADE DO SABER PROFESSOR RAYMUNDO PINHEIRO. Na manhã do dia seguinte, acontece a inauguração da segunda linha de produção da Bahia Pulp.

À tarde, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, junto com o governador Jaques Wagner, abre o Fórum Empresarial-Pólo 30 anos, no RESORT, LOCALIZADO NO DISTRITO DE ITACIMIRIM, EM CAMAÇARI. Um grande show com ARTISTAS LOCAIS e a FILARMONICA 28 DE SETEMBRO, dia 29, encerra a programação EM PALCO MONTADO NA PRAÇA ABRANTES.”

Ou até que se mantivesse a programação com os mesmos artistas, mas que fosse realizada aqui, afinal nós, que recebemos o ÔNUS da poluição, do trânsito engarrafado na Via-Parafuso e centro da cidade, da superpopulação com crescimento desordenado de favelas também merecemos esse BÔNUS de termos os shows de Maria Bethânia, OSBA e Armandinho Macedo realizados em nossa amada cidade.

Danival Dias
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Publicado originalmente em 07/02/2008 no jornal Camaçari Notícias, disponível em http://www.camacarinoticias.com.br/leitura.php?id=28416

Final de tarde (imundo) em Arempepe...

Brisa do mar, água de coco, pôr do sol, disposição para esperar o cair da noite e em frente a Igreja de São Francisco é forte o mau cheiro da urina. Olhar para a frente das barracas logo depois de um dia movimentado de sol não é uma das melhores cenas. Que pena! Copos e sacos plásticos, garrafas pet, papel, cascas de coco e pombos transmissores de doenças são a triste paisagem.

Na manhã do dia seguinte passa a limpeza pública e começam a chegar os banhistas, alguns, sem demonstrar nenhum zelo à natureza tornarão a jogar lixo no chão, outros, por falta de onde fazê-lo, já que não existem sanitários públicos em Arembepe, também voltarão a urinar na praça e aquele mau cheiro insuportável jamais se dissipará...

Bem, mas se a limpeza pública só vem na manhã do dia seguinte, durante a noite, quando a maré sobe, onde vão parar os dejetos jogados na areia? No mar, é claro! Por que os próprios barraqueiros, após o término do expediente, não vão em mutirão limpar a praia que lhes garante o sustento? Por que o próprio banhista não cuida do cantinho de paraíso que foi posto a sua disposição? Vai entender a cabeça do povo.

Naquela tarde eu estava em Arembepe, mas logo entrei em pânico pensando no restante do belo litoral camaçariense, que vai de Busca Vida à Itacimirim. Para quem acha que a natureza sem cuidados é eterna, olhem o que aconteceu com o Rio Tietê em São Paulo, ou melhor, aqui pertinho, lembrem-se do antes Rio Camaçari, hoje córrego fétido e cheio de dejetos. Se não cuidar acaba. Se não cuidar fica só a lembrança do que um dia já foi bonito. Pobres peixes, tartarugas marinhas, pobre mar, pobre de nós que pagaremos caro pelo descaso com o planeta!

Danival Dias
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Publicado originalmente em 20/02/2008 no jornal Camaçari Notícias, disponível em http://www.camacarinoticias.com.br/leitura.php?id=29307

Medo de polícia

Certa vez estive na belíssima Aracaju, capital do estado de Sergipe para passar um reveillon e eis que durante a festa e no meio daquela multidão de pessoas, senti alguém batendo de leve no meu ombro e me pedindo licença para passar. Ao me virar, fiquei pasmo, pois, quem me acabara de me pedir LICENÇA era uma guarnição da Polícia Militar sergipana! Aquela cena, para eu, pobre baiano acostumado a nem poder olhar direito para os “todo poderosos” daqui (toca-los então nem pensar sob o risco de tomar uma “cacetetada”) simplesmente não acreditava no que ainda veria se repetir inúmeras vezes durante toda noite...

Nos eventos de grande concentração de pessoas aqui na Bahia, principalmente em festas, quem é que nunca tomou uma “cutucada de cacetete” ou foi “tirado da frente” de maneira hostil só porque estava DE COSTAS “na hora errada e no lugar errado”, bem no caminho da guarnição dos “todo poderosos”? E as abordagens constrangedoras? Certa vez fui “corrigido” na companhia de mais três amigos, todos eles professores, na porta da casa de um deles, às 2 da tarde, onde um dos “todo poderosos” nos ordenou que segurássemos com as duas mãos nos galhos de uma pequena árvore a nossa frente e que olhássemos para cima: “Quem olhar para baixo vai ver só”, bradou!

É fato que de fevereiro de 1825, quando foi criada por D. Pedro I até os dias atuais são inegáveis os mais que relevantes serviços que a instituição Polícia Militar da Bahia presta a todo o seu povo! O que seria das nossas vidas sem a existência dos bravos guerreiros do Corpo de Bombeiros, do Grupamento Salvar, da Polícia Rodoviária Estadual, dos Grupamentos Especiais e todos os demais? Nossa polícia chega inclusive a “exportar” seu know-how para as polícias de outros estados, já que é a responsável por manter a segurança no evento de maior concentração de pessoas do mundo, que segundo o Guinness Book é o carnaval de Salvador.

Tenho amigos e conhecidos da mais completa retidão que fazem parte da corporação, de praças a oficiais; gente honrada, honesta, comprometida com sua atividade e que está nela por vocação! Mas porque uma pequena banda podre insiste em manchar o nome de uma instituição tão importante, quase bicentenária? Porque hostilizar o cidadão de bem, que por dever legal, como determina a Constituição Federal deve ser protegido? Como destratar, bater e humilhar quem por meio de tantos impostos literalmente, PAGA O SEU SALÁRIO?

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Publicado originalmente em 13/07/2009 no jornal Camaçari Notícias, disponível em http://www.camacarinoticias.com.br/leitura.php?id=59106

Léo Kret também merece respeito

Li uma “crônica” publicada numa revista local, fazendo referência à eleição do travesti LEO KRET à Câmara Municipal de Salvador, assinada por uma aspirante a jornalista – ainda estudante – que me causou sensações que variaram do espanto à preocupação. O texto, preconceituoso ao extremo, foi criticado por todos os presentes em uma das salas de debates de um fórum nacional que participei, e que assim como eu, na hora do intervalo folheavam a revista, cortesia junto ao material de apoio.

A jovem inicia dizendo que “tive que ter um pouco de cuidado para não escrever nada muito ofensivo”, como se para ofensa houvesse intensidade! Ofender, seja muita ou pouca a sua motivação, trata-se de ato desrespeitoso e que não deve ser praticado sob nenhuma hipótese por ninguém, principalmente por uma estudante universitária.

Ela atribui o status de “a última novidade sobre política” ao fato de um homossexual assumido ter conseguido vaga no legislativo, algo que não é inédito, haja vista que na última eleição para a Câmara Federal, o apresentador Clodovil Hernandes (falecido), também homossexual, sagrou-se vencedor como um dos Deputados mais votados pelo Estado de São Paulo.

Sem nenhuma espécie de pudor, respeito e principalmente amor ao próximo, a estudante classifica como “aquilo”, pura e simplesmente por causa da opção sexual do vereador eleito, um cidadão apto perante a lei – senão não teria concorrido – que venceu uma eleição legitimamente por meio da vontade soberana do povo, conforme garantem os princípios da democracia que fazem parte da Constituição Federal, direitos esses relativamente recentes, e que foram conquistados a custo de muita luta - e muitas vidas também, ressalte-se!

Ainda segundo ela, quem votou em LEO KRET supostamente “desperdiçou” o voto, elegendo “pessoas tão excêntricas”. Afirma ainda que, “Kret vai ganhar uma bagatela para ficar desfilando modelos de terminhos femininos (com nome masculino no RG, o que é contra a lei)” (sic).

Diante dos absurdos, fiquei me fazendo muitas perguntas para tentar compreender de onde essa moça tirou tanta bobagem. Afinal, desde quando excentricidade é sinônimo de incompetência política? Qual é a lei que diz que travestir-se de mulher é crime? Leo Kret não irá bem no exercício da vereança só porque é gay? Se ainda nem assumiu, quais os critérios para sugerir que Leo Kret não fará um bom mandato? Dentre os 41 vereadores eleitos na capital baiana, 16 são novatos, mas será que somente Leo Kret não está preparada?

A exceção justamente de LEO KRET, alguns dos eleitos ou reeleitos à Câmara de Salvador, possuem fichas sujas na justiça e estão sendo investigados pelo Ministério Público, alguns por terem tido suas contas rejeitadas pelos órgãos de controle, outros porque são acusados do desvio de recursos, verbas de gabinete e afins, o que não rendeu sequer uma linha na crônica da jovem estudante.

Portanto, se for mensaleiro, grampeador de telefones, assassino, forasteiro ou comprovadamente corrupto, pode ser eleito tranqüilamente, mas se for gay, não pode! Na cidade de Cruz das Almas/BA, foi eleito um catador de papel, em São Paulo o cantor e apresentador Netinho de Paula, em Goiânia o jogador de futebol do Vila Nova, Túlio Maravilha e em nada que li ou assisti sobre suas vitórias, os vi sendo chamados de incompetentes por antecipação por conta de um mandato que sequer iniciaram.

Mesmo não sendo seu eleitor, já que voto em Camaçari, ao contrário de muitos eu torço para que o mandato de LEO KRET seja um sucesso, como foi sua expressiva votação. Desta maneira, ganha Salvador, ganha o Estado e de certa forma, ganhamos também eu e você, povo, afinal, LEO KRET será bancada com dinheiro público, que pertence a todos nós... Torcer contra por si só já beira a insanidade, ainda mais pelos motivos apresentados!

O espanto e preocupação a que me referi logo no início, advêm do fato que LEO KRET está sendo crucificada e sumariamente julgada justamente por quem tem acesso aos difíceis bancos da academia, cuja formação, lhe habilitará num futuro próximo, justamente a ser mais uma formadora de opinião entre a sociedade. O que esperar do futuro, se age desta forma preconceituosa, hostil e demasiadamente desrespeitosa, justamente quem tem acesso a uma faculdade, que historicamente falando são centros de formação de conhecimento e cidadania?

Danival Dias
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Publicado originalmente em 17/11/2008 no jornal Camaçari Notícias, disponível em http://www.camacarinoticias.com.br/leitura.php?id=46165